Escola absorvente

Investigadores do inquérito internacional “Health Behaviour in School-aged Children”, da OMS, apresentaram um estudo com dados do ano letivo 2013/2014 e que o site Edulog fez referência. O documento é rico em inúmeras informações relevantes, mas deixo aqui uma pequena reflexão. A escola é tão absorvente que deixa pouco tempo para outras coisas da vida. É um buraco negro que vai absorvendo o seu redor. Pelos gráficos seguintes percebe-se que os alunos portugueses não gostam propriamente muito da escola. Aqui considero que eles da escola gostam, das aulas é que nem tanto. Os gráficos seguintes referem-se ao tempo que os jovens passam diariamente com os amigos até às 20 horas. Cruzando com algo que é fulcral na socialização das crianças e adolescentes, se a escola não deixa tempo para estar com os amigos, então será difícil, desde logo, gostar da escola.
O ERRO NAS EMPRESAS

Os trabalhadores de qualquer empresa necessitam de uma constante aprendizagem. Aprender novos processos, novas técnicas, novos materiais. Essa aprendizagem nem sempre é simples, imediata e de sucesso. Errar faz parte da aprendizagem, mas mesmo quem já aprendeu, erra de vez em quando. Mas como se gere e reage ao erro dos outros? A investigação já constatou que, quando aprendemos com medo, a aprendizagem não se torna tão significativa. O relacionamento humano mobiliza pouca ação para situações que nos condicionam por medo. Não só por medo de falhar mas por medo das consequências. Ser despromovido, ser dispensado, ser despedido é o que faz levantar da cama empregados que apenas vão trabalhar. É preciso mais. É necessário envolvimento. É necessário não apenas sentir prazer no trabalho que se desempenha, mas sentir-se envolvido num propósito. Fazer sentir-se parte de algo, é um aliado potenciador para o compromisso, mas sobretudo o mote para um trabalhador dar mais de si. A postura de um chefe é bem diferente da postura de um líder. Não será novidade. Mas, apesar de não ser novidade, será uma realidade encontrarmos líderes nas empresas ou ainda os chefes à moda antiga? O tempo de chefes ditadores, intransigentes, pouco tolerantes, com ar permanentemente superior, que criticam mais do que incentivam, que ameaçam e fazem trabalhar por medo, já entrou em acentuado declínio. Errar faz parte da condição humana, e todos erram, desde os altos cargos de chefia aos funcionários menos experientes. Desde cedo, socialmente, incutem-nos a perceção que o erro é mau. Cremos que o erro tem uma componente negativa associada, e essa crença impede que a organização aprenda com os erros cometidos. A sabedoria de aprender com os erros é indiscutível. Há contudo empresas que fazem isso bem, mas são raras. Não pelo facto de não quererem ajudar quem errou, mas por o fazerem de uma forma errada. A maioria dos executivos considera que errar é mau (é claro!). Consideram ainda que aprender com o erro é simples. Basta pedir para que se reflita sobre o que se fez de errado e não voltar a fazer de forma a evitar os mesmos erros no futuro. Ou, em alguns casos, decidem partilhar o erro com todos os colaboradores para que esse erro não seja cometido por mais ninguém. É um equívoco considerar esta estratégia potenciadora de uma aprendizagem eficaz. É pertinente considerar que o erro nem sempre é mau, muitas vezes pelo contrário é até bom. Depois é igualmente importante considerar que aprender com o erro é tudo menos simples. Importa abandonar crenças e noções estereotipadas sobre o sucesso e abraçar as aprendizagens pelo fracasso. Para a maioria das pessoas, o erro e a culpa são inseparáveis. A certa altura parece que aprendemos que admitir um erro significa pagar por ele. Por isso é que se torna difícil admitir o benefício de aprender com o erro. Parece intuitivo que, se as pessoas não pagarem pelos erros que cometem, como se consegue garantir que irão dar o melhor de si, para que esses erros não voltem a ocorrer? Isto consegue-se pelo envolvimento num propósito. Por sentir que esse erro não apenas prejudica o próprio mas uma organização em que se insere, no qual se amparam erros uns dos outros, que sempre irão ocorrer. Quando se enraízam espíritos de equipa verdadeiramente de um por todos e todos por um. Quando se aborda a questão dos erros com os executivos e se pede para fazerem uma estimativa dos erros realmente graves, a resposta geralmente e inferior a 10%. 2% a 5% é o comum. Contudo quando a questão se coloca em termos de quantos erros são tratados como graves, as respostas já disparam para valores entre os 70% e os 90%. O modo como se age com o erro pode ser culpabilizador ou encorajador. É certo que, quanto menos se errar melhor, mas também é certo que o erro vai ocorrer, e neste âmbito, quanto mais cedo melhor. Mais cedo se aprende e evolui. Quem detetar, corrigir e aprender com o erro antes dos outros irá triunfar. Já quem se dedicar à atribuição de culpas não. Publicado no Jornal Oje- artigo disponível em http://www.oje.pt/renato-paiva-o-erro-nas-empresas/
XIV ENCONTRO REGIONAL DE SETÚBAL DAS ASSOCIAÇÕES DE PAIS

Este sábado no Pinhal Novo para ajudar na reflexão sobre ” família na comunidade educativa” 21 de maio de 2016 Auditório Municipal de Pinhal Novo PROGRAMA 14h00 – Receção dos participantes 14h30 – Sessão de Abertura António Farto, presidente do CE da FERSAP M. Celeste Oliveira, diretora da Escola Secundária de Pinhal Novo Fernanda Rôlo, chefe da Divisão de Educação e Intervenção Social da C. M. de Palmela 15h00 – Intervenções “Escola-Família uma relação (im)possível?”, por José Miguel Oliveira “Relação escola / família: Encontrar culpados ou soluções?”, por Renato Paiva “Família, problemas de comportamento na criança e a escola”, por Ana Beatriz Saraiva 16h30 – Debate/partilha de experiências 17h30 – Sessão de Encerramento Isabel André, presidente do conselho executivo da UAP-Palmela Jorge Ascenção, presidente do conselho executivo da CONFAP.
Em Torres Vedras para reflectir sobre educação e tecnologias

A convite da divisão de educação da autarquia de Torres Vedras, fui o dinamizador no passado dia 8 de Abril da sessão de conversas com pais. O tema desta sessão foi “Que crianças estamos a educar, adultos responsáveis ou zombies digitais?”. A reflexão foi realizada com uma plateia de pais interessados que encheram a sala. A moderação do encontro foi realizada pela vereadora da educação Laura Rodrigues. A conversa fez reflectir sobre prioridades do agora mas também do tempo de crianças e adolescentes dos presentes na plateia. A sessão foi bastante participativa prolongando-se pela noite de forma bem disposta. Desta vez foi o horário do segurança da noite que ditou o término da sessão, com promessa e vontade de voltar 😉
Raparigas temem ser classificadas de “sabichonas”

Inquieto com esta notícia: “O bullying académico e sexista é prevalente nas escolas e impede muitas raparigas de usarem todo o seu potencial, já que temem ser classificadas como “sabichonas”. Especialistas da Associação Britânica de Docentes e Tutores explicam que as adolescentes “muitas vezes ficam caladas e não participam nas aulas de disciplinas mais difíceis, pois são levadas a achar que mostrar capacidades intelectuais não é atrativo”. Mary Bousted, secretária-geral daquela associação garante que “nos dias de hoje, por mais incrível que pareça, ainda é difícil para as raparigas mostrarem-se em simultâneo inteligentes e femininas e as que demonstram ambição académica são frequentemente insultadas”. A mesma especialista advertiu que este tipo de bullying – que se tornou “mais grave com o advento das redes sociais” – é “alimentado por preconceitos disseminados na sociedade, segundo os quais as mulheres inteligentes ainda são estereotipadas como menos atraentes”. O resultado, acrescentou, “é visível nos números minoritários de alunas que escolhem ciências exatas e outros campos científicos nas universidades e no acesso mais dificultado a carreiras profissionais potencialmente muito lucrativas”. Ao contrário do bullying físico e online, este tipo de bullying “é algo de que as pessoas não falam. Para as raparigas, mostrarem-se interessadas e responderem às perguntas significa que não são atraentes e existe quase uma ‘conspiração de silêncio’ entre elas, já o que é valorizado são as caraterísticas físicas e, mais insidiosamente, a capacidade de se calarem e deixarem os rapazes brilhar”. Mary Bousted reconhece que o fenómeno não é exclusivo das escolas, “mas estas têm uma responsabilidade acrescida de promoverem a igualdade, garantindo que todos os alunos têm a confiança necessária para falarem quando querem e do que querem”.” in Pais e Filhos
Algo estranho

Há algo nesta fotografia que me inquieta, não sei bem o quê. Estou inclinado para dizer que a trela do miúdo é demasiado curta para querer que se promova autonomia dos mais pequenos. Pois é isso, a solução é essa, ter uma trela maior resolvia o problema.
De volta a Valença

É difícil recusar o amável convite da Associação de Pais do agrupamento de escolas de Valença. Todo o seu esforço e dedicação fazem com que seja difícil recusar os seus convites para as suas iniciativas. Este sábado tivemos mais um desafio, desta vez não com os pais, mas com os filhos. Como podem eles articular melhor a escola com o que mais gostam de fazer? De que forma podem ter mais tempo nas suas vidas para aquilo que os alimenta enquanto pessoas? É uma preocupação dos miúdos, dos pais, e que também se deveria alastrar à sociedade. Os miúdos precisam de ser, muito mais, do que estudantes. Assim como os adultos devem ser, muito mais, do que trabalhadores. À direcção da Ass. Pais, à escola que nos acolheu e aos adolescentes que disseram sim e marcaram presença, Aquele abraço
Entrevistas de 1º emprego

Tenho abordado muito com pais, alunos e profissionais de educação que a escola tem de ter um outro papel que, habitualmente, deixa de fora. A preparação para uma vida activa não se faz apenas de saber muito da carga curricular das disciplinas. A Laurinda Alves escreve uma cronica no Observador que aconselho vivamente a ler. Entre muitas coisas, destaco desde logo a forma como inicia a sua abordagem. “Saber falar de si mesmos, das suas ambições e competências, dos seus dons e talentos, das suas qualidades e defeitos é absolutamente vital.” Totalmente de acordo! Veja artigo completo em aqui
Os professores

Partilho um texto de Valter Hugo Mãe, sobre os professores. Num tempo em que nem os próprios parecem acreditar nas suas capacidades, é bom ver (ou ler) que há quem ainda sonhe. “Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.” Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012
Estamos a criar adultos responsáveis ou zombies digitais?

Amanha em Torres Vedras, todos convidados, é gratuito