A Memória e seus Circuitos Neurais
A Memória e seus Circuitos Neurais – por *Ivan Izquierdo (…) a memória de trabalho, é uma memória muito rápida, pois dura segundos (por exemplo, se alguém nos dita um número telefônico; o qual discamos e logo o esquecemos), tem sua localização na área prefrontal. Há varios estudos recentes, feitos básicamente por três grupos, Fuster e Goldman Rackick nos Estados Unidos e Sakata, no Japão (que provavelmente é o melhor dos três) que encontraram circuitos neuronais no córtex prefrontal e no córtex anterolateral, sobretudo (há outras áreas envolvidas também), as quais já se conhece em parte como funcionam, e o que fazem durante os diferentes tipos de memória de trabalho. Portanto há dois grandes grupos de memória que se podem subdividir o não. Um é o da memória de procedimentos, de atos motores o de concatenações de atos motores, como por exemplo, saber escrever à máquina, saber nadar, esse tipo de coisas. Essa memória tem uma localização cortical em parte, pelo menos inicialmente, mas depois envolve os gânglios basais e o cerebelo. É a chamada memória procedural. Conhecemos as suas vias, a sua arquitetura, digamos, mas não quem a “habita”, não conhecemos muito bem como funciona. A outra é a memória declarativa, que é o que todos chamam comumente de memória. É a memória de fatos, de eventos, de seqüências de fatos e eventos, de pessoas, de faces, de conceitos, de idéias, etc. Esta é memória sobre a qual mais sabemos do ponto de vista bioquímico e neuroanatômico. As memórias declarativas se formam em primeiro lugar em uma região do lobo temporal, o hipocampo, que tem muitas fibras de conexão com o córtex entorrinal, que está localizada logo abaixo dele. Conhecemos até certo ponto a natureza dessa conexão, ou seja, a informação que irá converter-se eventualmente em memórias no hipocampo entra pelo córtex entorrinal, que recebe fibras de todas as vias sensoriais, de praticamente todo o córtex. Quando a memória é de tipo aversivo, ou envolve emoções, um grau de alerta muito grande, ou algum grau de estresse, entram em jogo duas estruturas cerebrais adicionais: a amígdala, que está no próprio lobo temporal, perto do hipocampo, e que tem conexões bidirecionais com o mesmo; e talvez, no homem pelo menos, a região corticomedial do córtex prefrontal, que possivelmente supre ou complementa as funções da amígdala. O hipocampo efetua uma série de processos bioquímicos que eventualmente servem para fortalecer seus conexões com outras estruturas. Isto é feito através do subiculum-córtex entorrinal. Dependendo do tipo de memória, a via envolverá, mais tarde, o córtex parietal associativo. Isso está bem demostrado e há boa evidência para estabelecer que noutros tipos de memória pode chegar a intervir os córtices associativos frontal, occipital e temporal . A memória mais bem estudada é uma que ocorre em um modelo muito simples, utilizando ratos. O rato aprende a evitar de entrar em um lugar onde recebe uma punição por isso, um choque eléctrico. É uma memória de formação rápida -se forma em segundos-, mas que pode durar toda a vida. No momento que o rato adquirir essa memória, entra em jogo o hipocampo, modulado pela amígdala, a qual é modulada, por sua vez , pelo septo medial, dando início a uma extensa sequência de processos bioquímicos. Aos trinta minutos, mais o menos, se ativa o córtex entorrinal durante horas e essa ativação é necessária para a memória. Se se bloqueia esse circuito, a memória não se forma, necessitando-se um processo bioquímico extenso no hipocampo, de varias horas, e algo que entre em paralelo, e um pouco depois, temporalmente, na área entorrinal. Meia hora mais tarde entra em jogo o córtex parietal posterior. Ou seja, sem essa sequência de três estruturas e sem a cadeia bioquímica que ocorre no hipocampo paralelamente durante a ativação, não há memória do evento. Se pedimos ao animal que evoque a memória um dia depois de aprendido o estímulo, e fazemos uma injeção de antagonistas glutamatérgicos e de NMDA no hipocampo, amígdala, área entorrinal ou parietal, se cancela a memória; caracterizando assim o circuito necessário para recuperar a memória. É de se crer que memórias menos aversivas não envolvam a amígdala, por exemplo, e que outras mais aversivas envolvam o septo também. Agora, se pedimos ao animal que evoque a memória vinte dias depois do aprendizado, o quadro é mais o menos o mesmo, essas quatro estruturas estão participando. No entanto, se fizermos o teste de memória trinta dias depois, o hipocampo e a amígdala já não participam mais; podemos bloqueá-lo ou não com antagonistas glutamatérgicos e a memória continua igual. Por outro lado, se se bloqueia as áreas entorrinal ou parietal a memória não é recuperada. Portanto, o circuito que é necessário para evocar a memória e onde possivelmente ela esteja radicada, envolve, aos trinta dias depois de adquirida: o córtex entorrinal e o córtex parietal, mas não mais os lugares onde primeiro se formou, ou seja; hipocampo e amígdala. Possivelmente o circuito da memória de maior duração começa na área temporal, e envolve outras estruturas, posteriormente. Não sei quantas -nós estudamos apenas a área parietal posterior- mas há muita evidência para outros tipos de memória de que também estão envolvidos as áreas occipital associativa e algumas regiões do córtex prefrontal. É muito provável que a memória, além de de fazer uma cópia, por assim dizer, do hipocampo para a área entorrinal e para a área parietal, deve fazer cópias também para outros lugares. Aqui já não conhecemos praticamente nada sobre os mecanismos dessas cópias, e apenas um pouco sobre os locais do cérebro onde ocorrem. *(trecho da entrevista concedida à RAN- Revista Argentina de Neurociências/reproduzida pela Cérebro&Mente/2008)
CHAT +, o chat que interessa ;)
Investigadores norte-americanos encontraram um novo tipo de neurónios, no cérebro adulto, que é capaz de dar ordens as células estaminais para produzirem mais neurónios. A investigação ainda está no início mas abre caminho para a possível regeneração cerebral. Os resultados foram publicados, este mês, na edição online do jornal científico Nature Neuroscience. Os cientistas sabem, já há algum tempo, que o cérebro tem capacidade de produzir novos neurónios, mas não se tinha conseguido, até agora, perceber de onde viriam essas ordens de regeneração, explica em comunicado de imprensa o investigador e professor de neurobiologia da Universidade Duke (EUA), Chay Kuo. Num estudo com ratinhos, a equipa de Chay Kuo encontrou umapopulação de neurónios até agora desconhecida, localizada na zona subventricular (SVZ) do cérebro, junto ao neoestriado. Estes neurónios expressam a enzima colina acetiltransferase (ChAT), que está na origem do neurotransmissor acetilcolina. Dirigindo um laser a estes neurónios ChAT+, os investigadores conseguiram observar uma clara alteração na proliferação de células estaminais neuronais. A população de neurónios ChAT+ é apenas uma parte de um circuito neural ainda bastante desconhecido que aparentemente comunica com as células estaminas e dá-lhes ordens para aumentar a população de novos neurónios, afirma Kuo. Embora o circuito ainda não esteja completamente mapeado, a nova investigação prova que ao controlar os sinais ChAT é possível aumentar a produção de neurónios na zona subventricular. in boas noticias
No Diário de Noticias alguns conselhos para quem repete exames
Hoje voltei a estar no programa Rocha no Ar da RFM. Acompanhado pela colega Carla Costa e pelo aluno que acompanho Rodolfo Oliveira, abordamos, em ambiente descontraído de coisas sérias. Falamos da importância do humor e do bem estar na educação e, claro está, do congresso que já está mesmo aqui a porta “A Sorrir também se aprende”. A Carla Rocha que tão bem nos acolheu, será uma das oradoras. A boa disposição e a reflexão sobre aspectos da comunicação que fazem diferença e que criam impacto não vão falta. Será um encontro que sugiro não perder.
A influencia do bem estar na aprendizagem na RTP
Hoje acompanhado pelo colega Rafael Pereira, estivemos na RTP no programa “Portugal no Coração”. Com a simpatia e boa disposição de Jorge Gabriel e Marta Leite Castro a conversa foi fluída apesar de sentirmos que tanto haveria por dizer sobre o tema. Aqui fica a foto da praxe antes de iniciar programa. Clique na imagem a baixo para ver o video
Na Correio da Manhã TV
Podem já ver o vídeo da minha participação no programa da manhã do CMTV numa conversa com Nuno Graciano e Maioa. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=0IWt6z8_OZw]
Terceiro período: é agora ou nunca!
Aqui deixo uma noticia onde participo em conunto com outros colegas do Público. O apelidado por muitos de “período dos aflitos” começa esta terça-feira e, este ano, tem apenas 35 dias úteis. Neste sprint final, apoiar e motivar o seu filho é o mais importante e, defendem os especialistas, produz maiores resultados do que prometer-lhe aquela consola que ele tanto queria. Se alguns alunos vivem o último período, de acordo com Bruna Pina, professora de Francês do ensino básico e secundário, com a cabeça nas férias de Verão, o que dá origem a “algum desleixo”, sobretudo pelos que acreditam que vão manter as notas dos períodos anteriores “sem grande esforço”. Para outros, particularmente os que estão na “corda bamba” entre passar ou chumbar, este é o período “derradeiro”, durante o qual dão “o tudo por tudo” para concluir o ano com sucesso. Pedro Sales Rosário, especialista em Psicologia da Universidade do Minho, lamenta que a nota do 3.º período seja global, uma vez que, desta forma, “deixa de existir uma notificação dos trabalhos realizados”. “Era importante que existissem quatro notas, uma por período e uma global”, defende. Tânia Duarte, professora de Ciências Naturais e Biologia, vai utilizar as últimas seis semanas do ano lectivo para concluir os conteúdos e, nas turmas do secundário que vão realizar exame nacional, reservar as aulas finais para o “esclarecimento de dúvidas, revisões e resolução de exercícios”. Para a docente, o facto de o 3.º período ser mais curto, que o habitual, não influencia a preparação dos alunos, dado que o “segundo período foi mais longo”, e por isso “o número de aulas não sofreu uma alteração significativa”. Para os estudantes que obtiveram classificações negativas no 1.º e no 2.º períodos, ainda não é altura de baixar os braços. Bruna Pina, professora na ilha Terceira, nos Açores, garante que apesar de ser difícil, “não é impossível” um aluno alcançar positiva apenas no último período, é “tudo uma questão de médias”. Tânia Duarte acredita que a superação “depende muito da motivação transmitida pelo docente e pelos encarregados de educação mas, sobretudo, dos objectivos e ambições do próprio aluno”. Recompensas emocionais em vez de materiais No caso específico dos estudantes que têm de este ano enfrentar os exames nacionais, o também director da Clínica da Educação, em Lisboa, um espaço de apoio para alunos e pais, acredita que a chave do sucesso é apostar em “resumos, apontamentos, esquemas, mapas mentais e simulações de exames”. “Ficarem passivamente a ler e memorizar as matérias é muito redutor quando se tem muita matéria para trabalhar”, justifica. Durante o “período dos aflitos” ocorre habitualmente um aumento significativo no número de inscritos nos centros de explicações. No entanto, a opinião dos especialistas divide-se sobre a eficácia desta alternativa. Renato Paiva acredita que quando existem dificuldades “o melhor é procurar ajuda mais cedo”. No entanto, reconhece que para o aluno com sucesso “é proveitoso procurar ajuda nesta fase”, para “suprir pormenores que ainda falham”. Porém, José Morgado, especialista em Psicologia Educacional do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa, defende que o recurso às explicações deve ser “sempre o último a considerar”. Porque, se por um lado, “o trabalho dos alunos deveria ser suficiente para suprir um resultado positivo”, por outro, a não ser suficiente, deveria ser a própria escola a “criar os diapositivos de apoio que pudessem ajudar” a resolver a situação. Uma vez que as explicações são “uma ajuda cara”, que muitas famílias não conseguem suportar, o que origina um “aumento do risco de desigualdade e descriminação” nas escolas portuguesas. in Público
Conselhos úteis na Dica da Semana
Nesta época mais fervorosa de preocupação com o final de ano escolar e com os exames à vista, as solicitações são geralmente mais frequentes. Desta vez foi a Dica da Semana que me pediu ajuda.
Urgente reverter esta tendência adolescente e jovem adulta
É uma tendência crescente e um enraizar de conceito errado que cada vez é mais frequente encontrar. Causa-me alguma preplexidade o facilitismo com que os alunos se envolvem com a internet como fonte de todos os milagres. Compreender uma obra sem a ler parece-me dificil. Certo que poderemos ter uma ideia da mesma olhando para os livros dos resumos, para as informações da net, pelo que os outros contam,… Mas conheceremos “Os Maias” sem ler os Mais?
Sou capaz claro ;)
A visualização deste video pode contagiar emoção, gratidão, criar arrepios e uma vontade diferente de olhar para nós próprios. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=H9S3n_tILKo]