Fora de Portas
Perguntas e respostas para pais e filhos, duas sessões diferentes para um fim idêntico. Uns querem saber como estudar melhor, outros querem perceber como podem participar no alcance desse objetivo. Foi assim que aconteceu no fim-de-semana, no Entroncamento. No workshop da manhã, dezoito alunos do centro de apoio escolar “100 Dúvidas” conversaram sobre a problemática do estudo e discutiram como se pode estudar com eficiência. À tarde, foram os pais que debateram questões que são recorrentes neste acompanhamento académico feito aos filhos. Uma sessão parental onde se falou do segredo para alcançar o sucesso na escola organizado pela associação de pais e encarregados de educação da Escola Dr. Ruy D’Andrade. Aqui ficam as imagens que relatam o momento.
Revista Prevenir – Maio 2014
Porque é na base que tudo começa, a revista Prevenir de Maio 2014 dá especial destaque à área da educação com o meu mais recente livro.
Vasco Graça Moura
Não tive o privilégio de privar com Vasco Graça Moura, nem vou ter com lamento meu. Hoje partiu um homem de convicçõesm mas há uma luta sua que também me tem como membro de equipa. O novo acordo ortográfico. Defendendo a nossa língua, oponho-me nos meus escritos a que sejam feitos com palavras que não aprendi. Tal como no CCB não havia (enquanto Vasco Graça Moura presidiu a esta instituição) aplicação do novo acordo, nos meus escritos também não. Alguns poderão ter, fruto da revisão editorial das publicações para onde escrevo, mas os originais e os que não passam pela revisão ortográfica, são em Português de Portugal!
O professor na educação do século 21 – António Nóvoa
Admiro muito o Dr António Nóvoa. Pelo seu percurso, pelas ideias que defende, mas sobretudo pela postura que mantem e que o caracteriza. Partilho, tal como o António Nóvoa que outro professor e outra escola são necessários para atender às demandas do século 21. Pouco se aprende por meio de um ensino transmissivo, mas a partir de pequenas redes e pequenos grupos, os quais não dependem apenas da proximidade física. O desafio da aprendizagem não apenas aquisição de conhecimento, mas fazer com que o aluno seja capaz de dar sentido às coisas, compreendê-las e contextualizá-las. Acompanhe a entrevista que António Novoa deu no Brasil a par de um congresso onde participou recentemente (está em brasileiro, mera transcrição do original): Gestão Educacional: Por que é necessário repensar o papel do educador na contemporaneidade? António Nóvoa: Porque hoje as tarefas do professor são muito diferentes do que eram no passado. E os professores e as escolas vivem ainda em um mundo que em grande parte já não existe. Às vezes, nossas escolas se parecem com o brilho daquelas estrelas de que ainda vemos a luz, mas já estão mortas, extintas. Eu creio que precisamos de outro professor e de outra escola no século 21. Gestão Educacional: Qual é o maior desafio no que se refere ao papel da escola no século 21? Nóvoa: A aprendizagem é o grande desafio. O filósofo francês Michel Serres chama os novos alunos de geração do pequeno polegar. Ele explica que é uma geração que não se comunica, não pensa e não aprende da mesma maneira que as anteriores. Os novos alunos têm outras maneiras de estar na vida, de aprender, de trabalhar com o cérebro, e nós ainda não nos adaptamos a isso, mas é preciso que essa adaptação se faça. Se não compreendermos isso, podemos criar um fosso geracional que dificultará encontrar as melhores maneiras de conduzir esses jovens à aprendizagem. No passado, aprendíamos uma coisa e depois comunicávamos essa coisa. Havia dois momentos: o de aprender e o de comunicar o que aprendíamos. Hoje, esses dois momentos não existem, porque é no próprio processo de comunicação que se gera aprendizagem e conhecimento. Por isso, a comunicação tem valor diferente do que tinha no passado, valor que, muitas vezes, não compreendemos ainda e não estamos suficientemente atentos a ele. Olhamos muitas vezes para a comunicação como indisciplina, incapacidade ou para o aluno que está disperso a fazer coisas que não as que pedimos para fazer, ao invés de conseguirmos utilizar a nosso favor esse potencial de comunicação que existe nas novas gerações. Gestão Educacional: Como o professor deve ensinar os alunos da geração do pequeno polegar? Nóvoa: Isso implica obviamente um conjunto de mudanças que leve à percepção de que, muito mais do que consumir conhecimento, é importante a criação de conhecimento na escola. É no ato da criação que se dá a dinâmica da aprendizagem. Mas é claro que não se cria em cima do nada, não se cria no vazio, mas a partir de um conjunto de atividades. [É preciso] perceber a importância das redes, pois não se aprende por meio de um ensino transmissivo, mas a partir de pequenas redes, de pequenos grupos que podem ser de proximidade física ou de internet. Esse potencial que está nas redes é imenso e se aprende por meio de um exercício de capacidade de ligar e sistematizar conhecimentos, muito mais do que a partir da ideia de que é preciso se apropriar do conhecimento e ter um ensino transmissível etc. Hoje, o desafio da aprendizagem não é o da aquisição do conhecimento. O nosso problema é fazer com que o aluno seja capaz de dar sentido às coisas, compreendê-las e contextualizá-las. Gestão Educacional: Quais mudanças são necessárias para que a escola seja capaz de atender a esses desafios? Nóvoa: Ela tem de ser uma escola também construída em redes, em espaços diferentes. A sala de aula é uma ideia que progressivamente vai desaparecer para se criarem outros espaços. E isso implica que os professores coletivamente se apropriem desses espaços e deem sentido ao seu trabalho escolar. Nós já não precisamos de bons professores, que deem boas aulas em salas de aula. É melhor que deem boas aulas do que más aulas (risos), mas não é disso que precisamos. Hoje precisamos de um professor capaz de trabalhar com os outros colegas, que seja capaz de organizar as atividades do conjunto da escola em sua imensa diversidade, e não como em uma fábrica. Gestão Educacional: Se cada escola é única, qual é o caminho para melhor proveito do potencialdelas? Nóvoa: Esse é um dos grandes desafios que temos pela frente. Eu me recordo daquela célebre frase de Jules Ferry[ministro francês da Instrução Pública no final do século 19], o homem que instalou o ensino laico, obrigatório e republicano, que disse uma vez, sentado em seu gabinete: “não há nada que me dê mais prazer na vida do que saber que neste dia, nesta hora, às 10 horas da manhã, todos os alunos, em toda França, estão a fazer o mesmo ditado”. Essa ideia de uniformização levada ao extremo por essa frase é obviamente o contrário do que precisamos hoje. Nós precisamos de uma escola que esteja enraizada na sociedade, em suas diferenças e que, por isso, seja capaz de construir projetos distintos e escolas diferentes. As escolas de formação de professores até 40, 50 anos atrás, em todo o mundo, chamavam-se escolas normais. E por que se chamavam assim? Porque eram escolas que pretendiam normalizar o ensino. Temos de fazer exatamente o contrário. Hoje, nós precisamos de escolas anormais. Precisamos de escolas que sejam o contrário dessa normalização e possam atender à diversidade de situações. Gestão Educacional: Qual o papel do professor nesse processo? Nóvoa: Todas essas mudanças levam a uma grande transformação do que são os processos de aprendizagem e, por essa via, isso também é papel do educador na contemporaneidade. O grande educador português Sérgio Niza diz que é preciso que os professores aprendam
Neuroeducação – as neurociências aplicadas à educação
A convite da Psicossoma estarei dia 10 de Maio no IX Congresso de Neurociências e Educação Especial a numa comunicação sobre “Neuroeducação – as neurociências aplicadas à educação”.
A pedagogia do corpo
Numa sociedade de aparências, movemo-nos pelo culto e preocupação do aspecto físico. A aparência das celebridades, das moças e moços das revistas, das fotografias da publicidade que revelam sempre corpos vistosos e muito apetecíveis. Contudo todos nós podemos ser modelos de capa de revista. Estas mulheres do video que se segue, também queriam ser também capas de revista. Assim foi feita a sua vontade. Será que gostaram do resultado? Vejam o video seguinte: [youtube http://www.youtube.com/watch?v=zRlpIkH3b5I&w=560&h=315] Será mais importante dedicar a nossa atenção e preocupação em querer imitar uma foto sem identidade, ou usar esse esforço para mais facilmente nos aceitarmos como somos? Poderemos sempre melhorar, mas a perfeição da imagem não se consegue sem truques. A perfeição da imagem está no modo como nos olhamos, e no modo como percebemos como se conseguem aparências sem imperfeições. É bom ser imperfeito, principalmente para o próprio.
Dia internacional do livro
Porque hoje é dia internacional do livro. Este é o meu, actual, contributo a esta forma tão especial de transmitir conhecimento. Ps- Sabia que em 1995, a UNESCO instituiu 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, em virtude de a 23 de Abril se assinalar o falecimento de, entre outrosescritores, William Shakespeare, dramaturgo inglês.
Terceiro período: é agora ou nunca! – Público
Um artigo no Público com a minha participação. Contudo um pouco desviada do que envio à jornalista referente ao tema das explicações. Quem me conhece sabe que não partilho da opinião de que as explicações devam ocorrer e desde cedo. Muito pelo contrario devam ser das últimas opções a considerar. Na reportagem, quando refere alunos com dificuldades, sff leia-se alunos com dificuldades de aprendizagem. E referente a alunos com sucesso, leia-se alunos com elevados objectivos a querer atingir!
O sucesso em debate no sociedade civil
A convite da RTP2, estive no dia 7 de Abril 2014 no programa Sociedade Civil. A inaugurar um novo estúdio passados 8 anos de programa, foi um privilégio assistir a azáfama de toda a produção para que tudo corresse tranquilamente. Comigo à conversa estiveram a Drª Fernanda Leopoldina Viana, o Dr António Nunes e o professor Luís Fernandes moderados pela jornalista Eduarda Maio. Falar sobre os factores de sucesso escolar é abordar uma panóplia de situações e condicionantes em que temos a sensação que o tempo não chega para tanto que queríamos dizer.
Como fazer as crianças ficarem longe dos perigos
Em vez de dizer às crianças para não tocarem uma panela quente, que tal explicar-lhes os riscos envolvidos e consequências? É o que sugere uma nova investigação da Universidade de Iowa (EUA). Os cientistas aferiram que as crianças realmente escutam as mães, que tendem a orientar seus filhos em conversas sobre os perigos de certas atitudes. Em cerca de 80% das vezes, essas conversas levaram as crianças a concordar com as opiniões das mães. O estudo Os cientistas recrutaram 63 mães e respectivos filhos de 8 a 10 anos de idade para uma experiência sobre conversas de segurança. Inicialmente, as mães e os filhos olharam para fotografias de crianças em situações com diferentes tipos de perigo, por exemplo, tentar cortar madeira com um machado ou andar de skate na rua. As mães e as crianças avaliaram individualmente quão perigosas as situações eram, através de uma escala de um a quatro. Seguidamente, reuniram-se para ver novamente as fotos, discutir e decidir sobre a classificação de segurança em conjunto. As mães iniciavam conversa questionando a opinião dos filhos para, de seguida, estruturar o seu pensamento, alertando para os perigos que ela não tinha percebido, como uma pega pendurada num fogão quente, por exemplo. A mãe, então, orientou o discurso e argumentação alertando para um perigo em particular não detectado pela criança, como a pega pegar fogo. Conclusões Em cerca de um terço do tempo, a criança e a mãe começaram em desacordo sobre a segurança da situação. Mas, nas discussões que se seguiram, as mães que explicaram e argumentaram para os perigos foram capazes de influenciar a criança para o seu ponto de vista e preocupações em 80% do tempo. As áreas de desacordo são terreno fértil para a aprendizagem, refere uma das pesquisadoras do estudo, a psicóloga Jodie Plumert. “Dizer ao seu filho ‘Não faças isso’ ou ‘Para’ ou ‘Cuidado’ realmente não funciona”, argumenta ela. “Não há problema em falar iniciar, mas o próximo passo é explicar o porquê. Não se deve presumir que as crianças sabem porque não, mesmo que pareça óbvio”. A próxima etapa do estudo é verificar se existem diferenças na forma como as mães de outras classes sociais falam com os seus filhos (as mães que participaram neste estudo tinham formação superior e eram todas caucasianas), saber como os pais conversam sobre segurança (eles não foram incluídos nesta pesquisa), e descobrir se as discussões realmente alteram a probabilidade das crianças de correr riscos no futuro. in [LiveScience, MedicalXpress]