Ontem foi assim na Rádio Nova

Numa entrevista telefónica para a Rádio Nova que aqui vos deixo. Um trabalho realizado pela jornalista Isadora Silva Faustino [youtube http://www.youtube.com/watch?v=5cdkIrTy9B8]

Emoção e admiração

Hoje foi dos raríssimos dias em que mudei consultas em prol de algo maior! Os meus “miudos e miudas” sabem que apenas em casos “graves” falto ao compromisso que com eles assumi: estar ao seu lado no seu percurso para os ajudar a melhorar. Mas hoje algo maior se levantou. Tive de ir aplaudir de pé alguém que no meu percurso de formação também esteve a meu lado, para me ajudar a melhorar. O Prof. Dr. José Duarte, teve hoje a sua cerimónia de “despedida” oficial das lides docentes. A aposentação chegou mas não a inquietude com que nos habituou desde que o conhecemos. Contudo, só hoje conheci outras facetas do Zé, como o trato desde que mo permitiu, porque a consideração e admiração será sempre do professor com quem muito aprendi. Sabia que gostava da pesca, do seu interesse na matemática, na informática, na programação, para a boa disposição. Mas toda uma vida profissional mas também pessoal, passou em retrospectiva aos presentes do anfiteatro onde me sentei muitas vezes enquanto aluno da Escola Superior de Educação de Setúbal. Com bigode, a jogar andebol, como membro de coros, como poeta, como realizador de boletins (e muitos que foram),…, mas sobretudo como pessoa. É esse o lado que habitualmente desconhecemos dos nossos professores. O lado da pessoa que são e não apenas dos profissionais que manifestam. Se melhor conhecêssemos o Zé, perceberíamos porque iniciou desta maneira. Nesse mesmo anfiteatro, hoje tive o privilégio de me cruzar com outros professores marcantes no meu percurso. O prof. Luis Souta que sentado ao meu lado fez questão de se levantar e me cumprimentar, a prof. Helena Simões, a prof. Leonor Saraiva, o prof. Filipe, a prof. Carla Cibele. Depois outros que, mesmo não tendo passado pela minha formação, contacto de forma curiosa como o prof. Mário Figueiredo, o João Torres,  a Zizá, a Catarina, a Joana. Foi o reencontro e a troca de impressões muito curiosas com eles. O Zé na sua reflexão da sua vida profissional, fez alusão a uma experiência curiosa que retrata algo que defendo para os meus “gaiatos”.  Sobre uma matéria de matemática referiu desta maneira ” Aprendi a conhecer quando tive de ensinar”. Como estar e aprender com o Zé é sinónimo de boa disposição, a ESE preparou uma surpresa que também a mim me surpreendeu e contagiou. Uma música cantada ao vivo com o seu percurso, devidamente acompanhadas pelos seus momentos altos. Não resisto a aqui partilhar tão bonito momento que amadoramente captei. [youtube http://www.youtube.com/watch?v=qXNuxOCzEhA] O Zé, que no momento de se aposentar, me desafiou para mais um encontro num futuro breve, desvenda que o seu “fim” ainda está longe, mantendo a atitude inquieta que o caracteriza. Aquele abraço Zé Obrigado  

A gravar para a revista Sábado

Hoje o desafio foi diferente. No estúdio da Cofina estivemos a gravar para a revista Sábado, 10 conselhos úteis para que os alunos sejam mais eficientes no seu processo de estudo. Planos, repetições, enganos, diversão e muitos sorrisos! Em breve teremos a produção final desta gravação 😉  

A brincar é que lá vamos?

Quem nos conhece sabe que é uma luta de à muito que travamos neste sentido. Os pais e mães querem à força que os filhos sejam mais homenzinhos e mulherzinhas e crianças. O amigo José Morgado, escreveu recentemente um artigo que subscrevo e que convosco partilho. No público do dia 14 de Maio intitula um artigo como “Brincar é a actividade mais séria que as crianças fazem”. Aqui transcrevo o original: Há muitos anos, lembro-me bem, ainda brincávamos na rua, melhor dizendo, ainda brincávamos. É certo que muitos de nós não tiveram grande tempo para brincar, logo de pequenos ficaram grandes. Não tínhamos muitos brinquedos, mas tínhamos um tempo e um espaço onde cabiam todas as brincadeiras, quase sempre na rua. Entretanto, chegaram outros tempos. Tempos que, para além das mudanças muito significativas nos estilos de vida das famílias, também parecem estar a criar outras ideias sobre o brincar e as brincadeiras. As questões relativas à segurança, obviamente importantes, não chegam para explicar a razão pela qual as famílias portuguesas usam tão pouco tempo em actividades de ar livre ainda que o clima seja favorável boa parte do ano. Aliás, nos países nórdicos, apesar das diferenças climáticas, verificam-se os níveis mais altos de actividades ao ar livre com implicações positivas na qualidade de vida, nas suas várias dimensões, de miúdos e crescidos. Embora consciente, repito, das questões como risco, segurança e estilos de vida das famílias, creio que seria possível tentar “devolver” os miúdos ao circular e brincar na rua. Talvez com a colaboração de tantos velhos que estão sozinhos, alguns morrem mesmo de “sozinhismo”, as comunidades e as famílias conseguissem algumas oportunidades para ter as crianças por algum tempo fora das paredes de uma casa, da escola, do centro comercial, do banco de trás do automóvel, do ecrã ou dos “espaços estereotipados” que o mercado criou. No imperdível O Mundo, o mundo é a rua da tua infância, Juan José Millás recorda-nos como a rua, a nossa rua foi o princípio do nosso mundo e nos marca. Quantas histórias e experiências muitos de nós carregamos vindas do brincar e andar na rua e que contribuíram de formas diferentes para aquilo que somos e de que gostamos. Como muitas vezes tenho escrito e afirmado, o eixo central da acção educativa, escolar ou familiar, é a autonomia, a capacidade e a competência para “tomar conta de si” como fala Almada Negreiros. A rua, a abertura, o espaço, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia. Talvez, devagarinho e com os riscos controlados, valesse a pena trazer os miúdos para a rua, mesmo que por pouco tempo e não todos os dias. Eles iriam gostar e far-lhes-ia bem. Por outro lado, ao que parece, afirmam alguns que não percebem de miúdos, os tempos não são de brincar, são de trabalhar, trabalhar muito, em nome da competitividade e da produtividade, condição para a felicidade, entendem. Roubaram aos miúdos o tempo e o espaço que nós tínhamos e empregam-nos horas sem fim nas fábricas de pessoas, escolas, chamam-lhes. Aí os miúdos trabalham a sério, a tempo inteiro, dizem, pois, só assim, serão grandes a sério, evidentemente. Às vezes, alguns miúdos ainda brincam de forma escondida, é que brincar passou a uma actividade quase clandestina que só pais, educadores ou professores “românticos” e “incompetentes” acham importante. Muitos outros miúdos vão para umas coisas a que chamam “tempos livres”, que, em algumas circunstâncias, de livres têm pouco e onde, frequentemente, se confunde brincar com entreter e, outras vezes, acontece a continuação do trabalho que se faz na fábrica de pessoas, a escola. Também são encaixados em dezenas de actividades “fantásticas”, com designações “fantásticas”, que promovem competências “fantásticas” e fazem um bem “fantástico” a tudo e mais alguma coisa. A vida de alguns miúdos transforma-se numa espécie de sobrecarregada agenda cujas vantagens serão poucas e os riscos são de considerar. Era bom escutar os miúdos. Na verdade, se perguntarem aos miúdos, vão ficar a saber que brincar é a actividade mais séria que eles fazem, em que põem tudo o que são, sendo ainda a base de tudo o que virão a ser.

Apontamentos que fazem diferença

Interessante estudo relatado no Washington Post que devemos conhecer. Eu aprecio o que a tecnologia nos ajudou mas neste contexto ainda sou do tipo old-school que insiste que as crianças aprendem melhor quando deixar os laptops em casa e tomar notas de aula à mão (há excepções mas maioria sim).   Transcrição original Why students using laptops learn less in class even when they really are taking notes   If so, you’re right. There’s new evidence to prove it, and it’s unsettling because so many students aren’t really taught longhand anymore. According to a new study based on a series of lab-based experiments comparing how much students learned after listening to the same lectures, there’s no contest. Handwriters learn better, hands down. The ones who took their notes in longhand demonstrated in tests that they got more out of the lectures than the typists. It’s not for the reasons most people think either. It’s not because of “multi-tasking” or the distraction available to students using laptops, especially with WiFi. That’s a problem by itself. But for this study, in a lab setting, no extraneous activity was allowed. Even when students paid attention and took copious notes on their laptops, they still didn’t learn as well. In fact, the copiousness of their notes may be part of the problem, the study found. Laptop users are inclined to use long verbatim quotes, which they type somewhat mindlessly. The handwriters are more selective. They “wrote significantly fewer words than those who typed.” It may be, the researchers reported, “that longhand note takers engage in more processing than laptop note takers, thus selecting more important information to include in their notes, which enables them to study” more efficiently. The authors are psychologists Pam A. Mueller of Princeton University and Daniel M. Oppenheimer of the University of California-Los Angeles. The study, entitled “The Pen Is Mightier Than the Keyboard: Advantages of Longhand Over Laptop Nota Taking,” is published online in the journal Psychological Science. It’s also summarized here. The researchers conducted three separate studies involving a total of 327 students to reach their conclusions. All students got the same lectures, but some were told to use laptops and others were told to take notes by hand. When it came to learning the concepts in the lectures, the handwriters won. When it came to retrieving facts, the groups were comparable, except when given time to go home and look at their notes and study some more, at which point, once again, the handwriters did better. “Even when allowed to review notes after a week’s delay, participants who had taken notes with laptops performed worse on tests of both factual content and conceptual understanding…” Overall, the researchers reported: “When tested on what they had heard, the students taking notes learned better. They came away with a significantly better conceptual understanding and did no worse than the laptop users when it came to recalling facts.” Here’s what’s a little bit frightening. When they instructed the laptop students to cut down or eliminate the verbatim note-taking, they couldn’t. The researchers wrote: Laptop use can negatively affect performance on educational assessments, even, or perhaps especially, when the computer is used for its intended function of easier note-taking. Although more notes are beneficial, at least to a point, if the notes are taken indiscriminately or by mindlessly transcribing content, as is more likely the case on a laptop than when notes are taken longhand, the benefit disappears. In fact, the study adds to a ton of evidence that for learning, writing is better and that the hand has a “unique relationship with the brain when it comes to composing thoughts and ideas.” That’s been supported by studies involving brain scans as well. Writing by hand activates the brain in ways that typing doesn’t to improve learning. Of course, the chance of convincing students to put away their laptops is probably zero. Many of them can’t write longhand, a forgotten subject in many American schools, itself a source of controversy. So is there hope? Maiobe, Mueller said in an e-mail to The Washington Post: Since we found that this is a result of laptop users’ tendency to take verbatim notes, it is possible that if we could teach children to take non-verbatim, selective notes on their laptops (i.e., like one is forced to do when writing longhand), they would perform equivalently to longhand note takers. However … we found that telling people not to take verbatim notes just didn’t work, so whatever intervention one might imagine might be rather difficult. The other possibility, some have suggested, are apps that permit handwriting on tablets, a compromise perhaps that students might accept. This story was updated to correct the number of total students involved in the studies, 327.

Em parceria com a TSF

Ontem, com a jornalista Cristina Santos fui entrevistado para a TSF numa reportagem onde se fala acerca da forma como estamos a educar ou “deseducar” os nossos filhos. Um novo projecto que em breve terá visibilidade e onde tive o privilégio de ser o primeiro entrevistado desta rubrica. As ideias não ficam por aqui e vamos preparar mais novidades…até já!

Que mensagem nos passa?

Costumo encontrar muitas imagens que me fazem reflectir sobe umas quantas coisas. Esta não foi excepção e quiz partilhar convosco. Não é a mensagem escrita, porque essa seria muito obvia  e deveria estar desde sempre enraizada. Como o por gel de duche só depois de estar molhado. Em seco não tem o mesmo efeito. O que me apraz verificar é que apenas 7 alunos da turma não têm lá o telemóvel unto do seu nome. Será assim tão necessário para a sobrevivência básica desta gente ter telemóvel num espaço como a escola? Outra constatação interessante é verificar que, se a vista não me falha, estamos perante uma turma de 37. E com trinta e sete alunos se calhar o telemóvel é o mal menor. Esta é a mensagem que me passa, e a vocês?

Conselhos para sobreviver à época de exames

Notícia do jornal Destak com a minha participação do dia 5-5-2014. transcrevo de seguida ou podem ler original aqui “Não há alunos melhores em tudo, alerta Renato Paiva, diretor da Clínica de Educação. Em véspera de exames, há que motivar, mas sem pressionar. Os exames não tardam, até porque o terceiro e último período letivo é, este ano, mais curto. E como as provas finais são a única coisa que separa os alunos das férias grandes, nada melhor do que começar a preparar o terreno, a ensaiar as técnicas, a olhar com mais atenção para os livros. Mas tudo isto sem transformar as provas que aí vêm em bichos de sete cabeças. Isto porque a avaliação é, confirma ao Destak Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação, «algo natural». Até pode ser assim mas, que o digam muitos pais, a época de exames é não raras vezes sinónimo de valentes dores de cabeça. Por isso, o especialista, autor do livro O Segredo para Alcançar o Sucesso na Escola, deixa alguns conselhos. E começa pelos progenitores, que tendem a pressionar os filhos. «É mais uma pressão social e parental do que dos próprios em quererem ser tão competitivos para serem os melhores», refere o especialista. Mas porque, esclarece, «não há melhores em tudo», reconhecer «as potencialidades e limitações ajuda a perceber a criança, os seus sucessos mas também os seus fracassos. Alimentar a ideia de que as crianças só têm de ser sinónimo de sucesso cria desnecessárias ansiedades e, em muitos casos, permanente frustração.» Há pois que «encarar os erros como parte do processo de aprendizagem». A importância do elogio Motivar os mais pequenos é um papel importante não só dos professores, mas também dos pais. «Falar da escola de uma forma positiva, otimista, com ênfase ajuda a olhar para a escola, para o trabalho em ser estudante e pela aprendizagem de uma forma mais encorajadora.» Sem esquecer os elogios. Porque nem sempre é fácil, admite o especialista nas páginas do seu livro, «ser cautelosos com as repreensões e os castigos», o melhor mesmo é «ouvir primeiro, agir depois». Ou seja, ter atenção ao que a criança tem para dizer, já que, «na aprendizagem, primeiro conquista-se a emoção, só depois a razão». E ter cuidado com «os rótulos». As repreensões frequentes podem cimentar «a imagem de que não são capazes e que vai sendo por eles acatada como uma certeza absoluta». E mesmo nos casos em que parece nada haver a elogiar, é importante procurar, estar atento, até encontrar a ponto do «novelo» e o elogio que pode fazer a diferença. Dor de cabeça chamada trabalhos de casa Até aos exames há outro ‘bicho de sete cabeças’ a enfrentar: os trabalhos de casa. Aqui, há que mentalizar as crianças desde cedo «que os trabalhos propostos na escola são responsabilidades a cumprir», sendo importante «não desculpabilizar quando não os fazem e não fazer por eles». O castigo pode ser opção, dependendo das situações e, claro, dos castigos. Mas por serem vistos como privações, nem sempre são o caminho.”

Em Peniche abordamos o Sucesso Escolar

Ontem, na cidade de Peniche, um grupo de professores, educadores de infância e pais, marcou presença no auditório municipal para refletir sobre o sucesso escolar. A apresentação do livro “O segredo para alcançar sucesso na escola” foi o ponto de partida para uma conversa sobre as condicionantes do sucesso, regras, metodologias,organizações, objectivos e posturas, entre outros diálogos que mantiveram os presentes até bem perto da meia noite.